Alto e bom som – Woodstock, a utopia que aconteceu

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Hoje, dia 18 de agosto de 2009, celebram-se 40 anos do último dia do maior evento músico-cultural já noticiado: o Festival de Woodstock. E vale lembrar que, se hoje o dia 18 de agosto cai numa terça-feira, em 1969, ele aconteceu numa segunda! Ainda assim, aproximadamente 40 mil hippies permaneciam firmes e fortes na cidade de Bethel (vizinha do município de Woodstock, onde deveria ter acontecido o festival) para ver aquilo que se tornou a representação-mor do evento: o icônico show do não menos legendário Jimi Hendrix.

O Festival de Woodstock representou o sonho de uma geração que se guiava pelo lema de “paz e amor” (tanto que o slogan da festa falava em “três dias de paz e música”). A iniciativa de realizar um grande festival de música que integrasse os jovens idealistas da época foi de Michael Lang, produtor musical que já tinha estado à frente do “Miami Pop Festival” – evento que, em 1968, reuniu 80 mil pessoas para ver, entre outros, Jimi Hendrix, John Lee Hooker e Frank Zappa & Mothers of Invention. Para fazer seu projeto decolar, Lang (à época com 25 anos) e sua turma afirmavam às autoridades não esperar mais de 50 mil pessoas. O número assustou os governantes da cidade de Woodstock. Mas, na cidade vizinha de Bethel, as tratativas tiveram sucesso: graças à um pagamento de cem mil dólares (valores de 1969) ao fazendeiro Max Yasgur e aos moradores vizinhos dele, a trupe de Lang conseguiu alugar uma àrea de 2,4 km2. A festa iria sair.

Nas semanas anteriores, tudo indicava que um grande festival viria por aí: em torno de 186 mil ingressos foram vendidos antecipadamente, ao preço de 18 dólares (em torno de 106 dólares, em valores atuais). Os organizadores esperavam aproximadamente 200 mil, quatro vezes mais do que o combinado com as autoridades da cidade de Bethel. Mas as catracas não chegaram a tempo, as cercas foram derrubadas e… quase meio milhão de pessoas apareceram na cidadela de menos de 5 mil moradores.

geferson

O caos foi tamanho que o grupo Sweetwater, responsável por abrir o
festival na sexta-feira (dia 15), ficou preso no trânsito e não
conseguiu chegar a tempo. A tarefa de iniciar os trabalhos ficou com
Richie Havens, que estava apavorado pensando que seria linchado no
palco devido ao atraso que já chegava a três horas para o primeiro
show. Ledo engano. O público ficou feliz quando Havens apareceu no
palco, numa reação descrita por ele como “ufa, até que enfim fizeram
alguma coisa”. Ao lado de Havens, também foram notórios no primeiro
dia os shows de Ravi Shankar e Joan Baez.

Na noite de sábado, só nomes famosos na época e históricos anos
depois: Country Joe McDonald, Santana, Mountain, Grateful Dead,
Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Sly & the Family Stone e
Jefferson Airplane. A noite, além de grandes shows, rendeu histórias
inusitadíssimas. Stu Cook, baixista do Creedence, contou que, quando
sua banda tocou, não conseguiam ver absolutamente nada à frente do
palco, enxergando apenas um isqueiro aceso e ouvindo um grito de apoio
dado aqui e ali. Já Bob Weir, guitarrista do Grateful Dead, conta que
o técnico de som da banda (um famoso fabricante de LSD) demorou três
horas para fazer uma grande alteração nos cabos do palco. O resultado?
Toda vez que um guitarrista do Dead encostava no seu instrumento,
tomava um choque de aproximadamente 15 volts.

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No domingo que deveria encerrar o Festival de Woodstock, mais pesos-pesados: Joe Cocker, Ten Years After, The Band, Johnny Winter, os de nomenclatura longa Blood, Sweet & Tears e Crosby, Stills, Nash & Young e é claro, Jimi Hendrix. Hendrix que era a maior estrela de rock da época e vinha em franca ascenção, tendo recebido (valores da época) cinco mil dólares para tocar no Miami Pop em 1968 e cinquenta mil doletas para se apresentar em Woodstock. Quando era evidente o grande atraso na programação do festival, o promotor Michael Lang sugeriu a Hendrix e seu empresário que o show do músico não fosse mais o último, mas acontecesse em um horário melhor (meia-noite). Ambos negaram prontamente e fizeram questão de encerrar o final de semana. Daí surgiu a histórica apresentação do mestre das seis cordas, já com dia claro, as 9h da segunda-feira, e com uma versão ímpar do hino nacional norte-americano.

Nem tudo foi cor-de-rosa em Woodstock. Haviam macas, corpos, pessoas vomitando, estava quente e úmido e a comida, água e sistema de toaletes lá era insuficiente. Mas o que ficou marcado mesmo foi um final de semana de total utopia. Uma utopia que aconteceu. E com meio milhão de testemunhas.

Um aperto de mão do Geferson!

2 Respostas to “Alto e bom som – Woodstock, a utopia que aconteceu”

  1. Jean Dettenborn Says:

    Quem comprou o ingresso deve ter se sentido um idiota😛
    E viva a cerca fraca \o/

  2. Diana Says:

    Bah… hoje o que teríamos de grande expressão para registrar?? Planeta Atlântida com Victor Leo e Zeca Pagodinho??

    Caramba, é uma injustiça ficar apenas imaginando o que foi essa loucura!

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