Alto e bom som – 20 anos atrás, morria Raul Rock Seixas

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Hoje, 21 de agosto, comemoram-se (sim, pois “comemorar”, como diz o dicionário Michaelis, significa relembrar – mas não necessariamente uma data feliz) duas décadas da morte de Raul Seixas. E eu diria que, exceto pela meteórica carreira dos Raimundos nos anos 1990, hoje comemoram-se também duas décadas da morte do rock no Brasil.

Assim como a ex-banda do hoje evangélico Rodolfo Abrantes, Raulzito tem raízes (mais profundas) no nordeste do Brasil. E em sua carreira, nunca negou suas origens, mesclando o recorrente rock’n’roll com referências musicais de sua terra. Suas letras sempre foram bem sacadas e irônicas, algo que desagradava (como quase tudo no mundo) à ditadura militar brasileira. Insistiu para fazer sua carreira decolar, até lançar sua obra-prima, “Krig-Ha, Bandolo!”, em 1973. Lançou mais alguns bons álbuns e passou a sumir e reaparecer com alguma frequencia, até o meio dos anos 1980. No final de sua carreira, fez álbuns mais acessíveis, mas nem por isso ruins, aparecendo com frequência mesmo na TV Globo. Sempre apreciou compôr com seus amigos, e daí surgiram parcerias com Cláudio Roberto (um cantor da Jovem Guarda, famoso pela música “Parabéns, parabéns, querida”), Marcelo Nova, do Camisa de Vênus, e Paulo Coelho – sim, aquele mesmo.

Raul Seixas sempre foi malandro. Em uma de suas grandes tiradas, dizia ser um ator tão bom que afirmou a vida toda ser cantor, e todo mundo acreditou. Ainda hoje, não há lugar com música ao vivo em que o público deixe de pedir músicas do velho cantor baiano, seja algo animado e ambíguo como “Rock das Aranhas” ou uma balada arrasa-quarteirão tal qual “Metamorfose Ambulante”. Em sua carreira, arrancou opiniões que jamais ficaram no meio termo, dividindo o público entre aqueles que o detestam e o veneram – e essa é a melhor coisa que pode acontecer para um artista. Se você tem até 25 anos, pergunte ao seus pais ou à alguém da faixa-etária deles se acham Raul um “gênio” ou um “maconheiro”. A resposta não vai fugir muito destes dois padrões.

Dentre seus fãs, um, que sabe muito das coisas da música, me disse certa vez que, se Raul fosse inglês ou americano, seria tão importante e reconhecido pelo mundo quanto alguém como David Bowie. E quer saber? Eu acho que é isso mesmo. Vamos aproveitar o tradicional clima de nostalgia e comoção que sempre toca as pessoas em datas que relembram grandes perdas e ouvir algo que de muito bom foi produzido no nosso país.

E aproveitando a afirmação do primeiro parágrafo: depois da morte do Maluco Beleza, alguém foi tanto quanto ou mais relevante do que ele no rock ou mesmo na música brasileira?

Comente e, enquanto isso, toca um Raul aí!

Um aperto de mão do Geferson!

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