Sexo não é rocha

O assunto é sexo, anunciou a professora. Lembro bem, era sétima ou oitava série. Havíamos passado alguns meses falando sobre células, outros tantos discutindo os tipos de rochas e agora íamos estudar sexualidade. Alguns soltaram uns gritinhos maliciosos, outros apenas um sorriso de canto, as mais quietinhas ruborizaram, e os demais engoliram em seco. Mas ninguém, ao menos em meu campo de visão, se manteve natural.

Bem que a profe se esforçou. Mas o fato é que sexo e sexualidade muito raramente são abordados de uma forma que nos deixe à vontade. Pais dificilmente conversam conosco sobre isso antes de nos depararmos com as insinuações nas letras de música, cenas de filmes e comerciais de cerveja. A curiosidade nasce e cresce, mas ninguém se pronuncia. E daí a professora faz cara feia quando nota as bochechas vermelhas atrás das classes? Não dá.

Falar sobre sexo é mais do que importante. É necessário. Sexo faz parte da vida de qualquer um, e envolve uma série de coisas: sentimentos, desejos, escolhas, decisões. Mas é preciso que nos respeitem, e é preciso que falem a nossa língua. Convenhamos, hoje está tudo mais ou menos pornográfico. Parece que ninguém paga imposto pra tirar a roupa e se agarrar. Então como podem querer tratar disso como se fosse rocha?

Daí surge o tal Bate-Papo Pilhado. Presenciei, no ano passado, o sucesso quando o assunto foi vocações. Agora, a proposta é falar de sexo de uma forma respeitosa e criativa. Eu não podia ficar de fora. Junto a outros colegas do Jornalismo da Unisc, participarei da cobertura do evento (pela Folha do Mate e internet).

Minhas expectativas são as melhores. E as de vocês, jovens de Venâncio Aires, sugiro que sejam também. Porque vai estar show! Até lá.

Pedro Garcia (pedropiccoligarcia@gmail.com / @pedropgarcia)

* Pedro é estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da Unisc e faz parte do II Bate-papo Pilhado, que ocorre no dia 25 de maio, no Colégio Oliveira Castilhos, para estudantes de 7ªs séries.

2 Respostas to “Sexo não é rocha”

  1. Anaa Says:

    Pedrinho! Ótimo o texto!!!! E muito, muito verdadeiro! Haha…

  2. Um papo pra se levar na boa « Na Pilha Says:

    […] aí vira bicho de sete cabeças. Acontecem aquelas reações básicas que o Pedro comentou no post dele. Daí a importância de saber como falar sobre […]

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