Pollyanna e a vendedora de papel contact

Semana passada fui em uma gráfica da cidade, com a intenção de comprar papel contact. Cheguei no estabelecimento e prontamente fui atendida por uma funcionária que me levou até a seção de rolos de papel e perguntou a quantidade que eu desejava. Indaguei a ela se eles vendiam em metro e, diante a resposta positiva, solicitei um.

Enquanto a moça media e cortava o material, fiquei matutando sobre o que faria com o papel restante, já que precisava de, no máximo, um retângulo de 15cm x 20cm. Perguntei o preço e, quando ela respondeu R$ 5,40, tentei voltar atrás na minha compra (pão-durismo, a gente vê por aqui).

– Moça, por acaso vocês vendem só meio metro?

(Pausa para a vendedora me fuzilar com o olhar.)

– Você podia ter me dito isso antes de eu cortar, né?

Nem preciso dizer que me senti ofendida, afinal, o manual do bom vendedor diz que não se deve dirigir-se assim a um cliente. Mas como gosto de bancar a Pollyanna (explico mais abaixo), respirei fundo e tentei me colocar no lugar da moça. Ela teria que encontrar um cliente disposto a levar para casa o meio metro que eu deixei para trás, e talvez o chefe dela fosse bem rígido com desperdícios. Ou talvez, ela só estivesse em um dia ruim, ou ainda, com muito calor (os últimos dias foram cruéis, né?)

Enfim: esperei a funcionária cortar (novamente) o papel contact e a acompanhei até o caixa. Paguei minha conta e, ao sair do estabelecimento, me dirigi novamente a ela:

(Pausa para um sorriso angelical.)

– Obrigada, moça! E desculpe ter feito você cortar contact a mais.

A funcionária me olhou com cara de espanto (provavelmente ninguém pede desculpas por um contratempo) e, depois de um segundo, sorriu para mim:

– Imagina, nem te preocupa.

Resumo da história: fui embora me sentindo leve e tranquila, acreditando ter tido a melhor atitude diante um incidente que poderia ter deixado minha mente, no mínimo, cheia de indignação. É claro que tem um monte de gente que se orgulha de dizer ‘que não leva desaforo para casa’ e que ‘roda a baiana’, mas será que vale a pena tanta ‘marra’ assim?

Cada um escolhe as atitudes que deseja ter, mas eu, desejo viver da forma mais pacífica possível. Quer tentar?

SOBRE A ATITUDE POLLYANNA

Na esquerda, a capa do livro que li na década de 1990; na direita, uma versão mais recente de Pollyanna

Na esquerda, a capa do livro que li na década de 1990; na direita, uma versão mais recente de Pollyanna

Agora vem a explicação: atitudes como essas são conhecidas de quem já leu o livro Pollyana. A história, escrita por Eleanor H. Porter em 1913 (sim, gente, no início do século passado), é considerado um clássico da literatura infanto-juvenil. Na minha casa, todas as gerações desde a minha avó leram o livro e tiveram suas infâncias marcadas por ele.

A obra conta a história da órfã Pollyanna, que vai morar no interior com a severa tia Polly. A menina costuma praticar o estranho ‘jogo do contente’, que aprendeu com o falecido pai: mesmo em situações ruins, ela encontra motivos para ser feliz e contagia a todos com seu otimismo. Certo dia, Pollyanna é atropelada e corre o risco de ficar paralítica. Esse acidente acaba transformando também a vida da tia Polly. O livro fez tanto sucesso, que a autora publicou em 1915 uma continuação, chamada Pollyanna Moça.

Recomendo a todos lerem esse livro. Na internet, já encontrei versões novas lançadas há poucos anos (em 2008, por exemplo), e sei que a Biblioteca Pública também tem exemplares.

Beijosss da Anaa!

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